Obviamente, Arthur já estava em casa, mas em vez de ir procurá-lo como sempre faço, segui direto até a cozinha em busca de um copo d’água e alguma coisa para enganar o estômago. Com toda a atenção que dei a minha conversar com Benjamin na loja, acabei deixando passar o almoço e agora estava faminta.
– Você chegou cedo... – Eu quase engasguei com a água que estava tomando.
– Oi... – Deixei o copo sobre a mesa e me virei em sua direção. – Cheguei bem a tempo de preparar algo para jantarmos.
– Marie acabou de sair... - Ele respondeu. – Ela preparou algo. Mas como eu não te esperava até mais tarde...
– Sinto muito. – Sussurrei sem saber se me referia ao fato de tê-lo obrigado fazer outros planos ou por ter mentindo para ele.
Ele se aproximou, colocando seu corpo a frente do meu e eu senti uma necessidade imensa de sentir seus braços ao meu redor.
– Você parece cansada.
– Um pouco. – Admiti, embora tão tenha tido coragem de dizer que era muito mais cansado emocional do que físico.
– Por que você não toma um banho enquanto eu coloco a mesa? – Arthur sugeriu me hipnotizando com o seu sorriso torto que eu tanto adoro. – E, se você preferir, nós podemos apenas assistir a um filme e relaxar hoje à noite.
Eu sabia que se dissesse que era isso que eu gostaria de fazer, ele realmente concordaria, sem nenhum problema, mas eu não queria isso.
Está certo que eu não estava em melhor momento, mas eu não queria que seja lá o que estivesse me incomodando, interferisse entre Arthur e eu.
– Eu não quero mudar o que tínhamos planejado.
Ele apenas ficou me olhando por um longo tempo como se dessa forma fosse capaz de ler a minha mente.
Eu tentei me conter, mas tê-lo tão perto era tentador demais.
Envolvi meus braços em seu pescoço e o apertei com o máximo de força que tinha.
Ele riu. Um riso alto, contagiante, reconfortante. O som se infiltrou em minha corrente sanguínea como se fosse tranquilizante sendo bombeado em minhas veias, me permitindo ficar em paz.
– Obrigada! – Disse em seu ouvido quando o senti retribuir o abraço.
– Pelo o que, meu anjo?
– Por... Ah, você é incrível!
Ele voltou a rir e foi inevitável acompanhá-lo.
– Fico feliz que você pense assim, embora não seja verdade.
...
Eu me sentia muito mais leve quando meu corpo foi imerso na água morna da banheira.
Arthur tinha esse efeito sobre mim. Sua proximidade era capaz de me fazer sentir bem, quase como se ele fosse o remédio para todos os meus males.
Foi pensando em como seria bom se ele me visse da mesma forma que me banhei rapidamente e me ocupei em me vestir.
Aproveitei o fato de que Arthur não tinha separado nada que gostaria que eu vestisse – não sei se pelo fato de eu ter chegado mais cedo do que ele supunha ou apenas por ele preferia que eu estivesse nua em seu playroom e me arrumei como sabia que ele gostava, mas ainda sendo eu mesma.
No final, o resultado tinha sido bom: a cinta liga negra que eu usava oculta pelo vestido comportado me fazia sentir desejável e com isso eu me sentia confiante. Por fim, calcei um sapato de salto alto, já que desde a nossa pequena encenação no escritório de Arthur, ele tem deixado bastante claro que o excita me ver usando salto.
Eu só não esperava me deparar com ele, casualmente sentado em nossa cama, quando deixei o banheiro.
Seus olhos percorreram todo o meu corpo, me provocando. Me fazendo desejá-lo, com intensidade.
– Eu acho que não estou vestido de acordo... – Sua voz soou rouca e eu estremeci bastante consciente de que isso era um dos efeitos que eu provocava nele.
Foi a minha vez de analisá-lo. Meus olhos deixaram o seu rosto e desceram, passando pelo tronco coberto por uma camisa simples branca até alcançar a evidente ereção oculta pela calça jeans.
Gemi baixinho.
– Você sempre está bem... Não importa o que vista.
– Algum motivo especial para tudo isso? – Ele movimentou seu braço apontando para mim e em seguida para a caixa que continha o seu presente, que eu havia deixado sobre a cama, sem imaginar que ele estragaria a minha surpresa.
– Você estragou a minha surpresa. – Cruzei os braços e por pouco no fiz um bico.
– Eu não. – Ele tentou esconder o riso e eu estreitei meus olhos. – Eu juro!
– Você olhou. – Acusei, antes de me encaminhar até a cama e retirar a caixa e a colocar distante dele.
– É para mim? – Ele perguntou docemente.
Uma rápida olhada na caixa e eu pude ver que ela continuava lacrada.
– É claro que é para você. – Posso jurar que meu rosto estava completamente vermelho nesse momento.
– E eu posso ver?
– Nós podemos jantar primeiro? Eu estou, realmente, faminta.
Arthur assentiu antes de se colocar de pé e me puxar para mais perto.
– E tudo isso? – Uma de suas mãos deslizou pela lateral do meu corpo. – Também faz parte da sua surpresa?
– Eu só queria ficar bonita para você...
– Eu pensei que você já soubesse... – Sua boca roçou o lóbulo da minha orelha e eu me prendi ainda mais a ele. – Aos meus olhos, você sempre está linda!
(...)
– Você me trouxe um presente, Lua? – Embora ele estivesse usando o tom forte, autoritário – aquele que eu internamente chamava como o tom Dom, ainda existia uma ponta de diversão em sua voz. – Você pode falar livremente essa noite.
– Sim, Mestre. – Eu respondia imediatamente. – Eu espero que o agrade.
Eu apanhei a caixa que estava ao meu lado, no chão e a ofereci a ele, sempre mantendo minha cabeça abaixada, mesmo que eu desejasse ver o seu olhar quando ele abrisse a caixa.
– Você pode abri-la para mim? – Era uma ordem disfarçada de pergunta, a submissa em mim sabia disso. – Fique mais perto... – Ele se sentou na beirada da cama e eu prontamente me coloquei entre as suas pernas, como sabia que ele gostava.
Eu me ocupei em retirar o laço e a fita adesiva que mantinha a caixa lacrada e a repousei sobre o colo de Arthur antes de abri-la.
Ainda existia um papel de seda branco por cima e eu deixei a cargo de Arthur retirá-lo, subitamente insegura de qual seria sua reação.
Ele arqueou sua sobrancelha perfeita para mim e eu engoli em seco.
– Erh... Humm, se você não gostar e...
– Meu discurso gago e sem sentido foi interrompido pelo movimento do braço de Arthur, revelando aos seus olhos o que tinha dentro da caixa.
Eu mantive meus olhos presos ao seu rosto, tentando encontrar qualquer indicio em sua feição, mas eu não conseguia lê-lo tão bem quanto ele me lia.
Ele apanhou a coleira e olhou atentamente, se prendendo a todos os detalhes, até que um discreto sorriso começou a se formar em seu rosto.
– Eu estou confuso... – Ele disse, rodando a coleira em sua mão. – É um presente para mim ou para você?
Eu ruborizei. Intensamente.
– Para você, Mestre. – Respondi baixo. – Eu... Eu só... Eu pretendia agradá-lo, Mestre.
– E você me agradou, Lua. Muito. Não duvide disso. Eu só estou me perguntando o quão bonito seu pescoço ficaria com ela...
– Seria uma honra usá-la, meu Senhor.
– Humm veja, então esse é um presente para nós dois.
Eu assenti entendendo seu ponto. De fato, era algo para o deleite de nós dois. O dele de saber que eu pertencia a ele e o meu de ter seu nome em mim como prova da minha entrega a ele.
– Afaste o seu cabelo para mim, Lua.
Eu obedeci e senti quando ele prendeu a nova coleira em volta do meu pescoço.
– Primoroso! - Ele exclamou acariciando minha bochecha para logo em seguida puxar a guia presa à coleira e aproximar meu rosto do seu. – Agora, eu acho que posso encontrar uma forma de encaixar o restante do meu presente nos meus planos hoje à noite...
Seus lábios roçaram a pele do meu rosto antes que ele me dissesse para ficar de pé.
Seu corpo se moldou ao meu, por trás e ele me fez fitar a cama a nossa frente.
– Eu tinha planos de prendê-la a essa cama hoje à noite... – Ele disse ao meu ouvido. – E eu ainda vou fazer isso, é claro. Mas acho que antes temos tempo para um pequeno aquecimento...
Sempre me conduzindo pela guia , ele me levou até o outro lado do quarto.
– Eu acho que esse é um bom momento para retirar a sua calcinha...
Olá, Carolina.
ResponderExcluirEu gostaria de te pedir, como autora do livro que você está postando como seu, que você, por gentileza, retirasse esse texto do ar já que o livro está registrado na Biblioteca Nacional e encontra-se, inclusive, a venda e a reprodução fo mesmo, sem a minha autorização, configura crime contra os direitos autorais e plágio.